Rotas gastronômicas do Brasil
10 roteiros de viagem definidos por um produto ou por uma mesa: vinho, café, queijo, cerveja, cachaça, a cozinha amazônica e a afro-brasileira. O que se come, onde se para, quando ir e quanto custa, com as cidades do diretório no caminho.

A única Denominação de Origem de vinho do Brasil fica num vale de 80 km² entre Bento Gonçalves, Garibaldi e Monte Belo do Sul, com espumante que vence prova cega e galeto que chega antes do menu.

A 9 graus do Equador, no meio do sertão, um vinhedo irrigado pelo rio dá duas safras por ano. É a rota de vinho mais improvável do mundo, e a de melhor bode assado.

Sete municípios no sudoeste de Minas fazem, de leite cru e fermento da própria casa, um queijo que ganha medalha na França. A rota é a fazenda, a cachoeira e a nascente do rio.

Minas produz metade do café do Brasil, e o melhor dele cresce entre 1.000 e 1.400 metros na Serra da Mantiqueira. A rota é a fazenda, a cafeteria de origem e a cidade de água mineral.

O caminho por onde saía o ouro no século 18 virou a rota onde se come o melhor feijão tropeiro do país, num festival que já tem quase 30 anos e em cidades tombadas onde o fogão ainda é a lenha.

O vale do rio Itajaí é onde a cerveja artesanal brasileira nasceu e onde a segunda maior Oktoberfest do mundo acontece. Entre uma e outra, marreco recheado, cuca e uma cidade que ainda fala alemão.

O interior paulista tem uma rota de vinho que não tenta ser a Serra Gaúcha: uva Niágara rosada, vinho de mesa, suco na garrafa e festa de fruta em cada cidade, tudo a menos de 100 km da capital.

O mercado mais antigo do Brasil, o açaí sem açúcar, o peixe de rio de dois metros e a ilha de cacau a 15 minutos de barco: Belém é a única rota do país que cabe numa cidade e ainda sobra.

Em volta da Baía de Todos-os-Santos, a cozinha que o Brasil chama de baiana foi inventada por mulheres africanas em engenhos de açúcar. A rota é o tabuleiro, o mercado e as cidades do açúcar que ficaram paradas no tempo.

No século 18, 'parati' era sinônimo de cachaça no Brasil inteiro. A cidade que deu o nome tem hoje a primeira Indicação Geográfica da bebida, meia dúzia de alambiques a 20 minutos do centro e um peixe com banana que só se come aqui.
Como estas rotas são feitas
Cada rota é um recorte pequeno, que cabe em dois ou três dias de carro, e é definida por uma coisa que só se come ou bebe ali do jeito certo. Não há rota de "melhores restaurantes": há a fazenda onde o queijo é feito, a vinícola que engarrafa, o mercado que abre de madrugada e a festa que muda a cidade uma vez por ano.
Os preços são faixas de referência de 2026, para você saber se a conta está certa, e os links levam às cidades do diretório do SaborCidade que estão na rota ou perto dela, com restaurantes, bares e cafeterias com endereço e telefone. As cidades pequenas, como Bento Gonçalves, Tiradentes ou São Roque de Minas, aparecem no texto e ainda não estão no diretório.
Antes de viajar, vale ler os guias que explicam a conta: estilos de cerveja, café especial, drinks clássicos e açaí de verdade.