Blumenau foi fundada em 1850 por um farmacêutico alemão que trouxe 17 colonos para a beira do rio Itajaí-Açu, e a cidade passou o século seguinte fazendo o que colonos alemães fazem: têxtil, salsicha e cerveja. Quando a enchente de 1983 arrasou o centro, a resposta da cidade foi inventar uma Oktoberfest para levantar dinheiro. Deu certo demais: hoje é a segunda maior do mundo, atrás só da de Munique, e ocupa 18 dias de outubro com centenas de milhares de visitantes.
A cerveja artesanal veio depois e por causa disso. A Eisenbahn, fundada em Blumenau em 2002, foi a primeira cervejaria do país a levar a Lei da Pureza alemã a sério em escala, e abriu a porta para as dezenas de microcervejarias que hoje ocupam o vale: Blumenau, Pomerode, Timbó, Indaial, Gaspar e Brusque. A rota é a cervejaria com fábrica aberta, o restaurante de marreco e as cidades que ainda têm enxaimel de verdade, não de cenário.
A cerveja: da Pilsen ao estilo que o vale inventou
A base da produção do vale é alemã: Pilsen, Weiss, Dunkel, Bock, feitas com malte importado e água do rio. A Eisenbahn tem a fábrica em Blumenau aberta a visita, e a cidade tem ainda a Bierland, a Wunder Bier, a Das Bier e a Container, cada uma com o próprio bar de fábrica. Em Pomerode, a Schornstein faz a cerveja mais tradicional do vale numa fábrica de 1913. Não faltam IPAs e sours, mas o que a região faz melhor é o clássico alemão bem feito, e é isso que vale pedir. Nosso guia de estilos de cerveja artesanal explica o que é cada um.
O chopp aqui é chopp mesmo, da fábrica para a torneira sem pasteurizar, e o guia sobre a diferença entre chopp e cerveja deixa de ser teoria. O preço é a vantagem: um chopp de 300 ml em bar de fábrica custa entre R$ 12 e R$ 18, e a garrafa de 600 ml na loja da cervejaria fica a menos da metade do preço de São Paulo. O Museu da Cerveja, na Vila Germânica, é grátis e explica a história em meia hora. Beber e dirigir não combinam com o vale, que tem estrada estreita e fiscalização; use a linha de ônibus da Oktoberfest ou um motorista.
A mesa: marreco recheado, eisbein e cuca
O prato-símbolo de Blumenau é o marreco recheado, assado inteiro com um recheio de miúdos e pão, servido com repolho roxo, purê de maçã e batata, por R$ 90 a R$ 140 a porção que serve dois ou três. É comida de domingo alemão e nasceu da falta de ganso na colônia. O eisbein, o joelho de porco cozido e depois assado, o kassler (bisteca defumada) e a salsicha branca com chucrute completam o cardápio, sempre com uma cerveja escura para acompanhar.
No café da tarde, a cuca, o bolo de farofa com fruta que os alemães chamam de Kuchen, e o strudel de maçã são obrigatórios, e as confeitarias de Pomerode e Timbó fazem melhor do que as de Blumenau. Brusque tem a Fenarreco, festa do marreco em outubro, e Pomerode a Festa Pomerana, em janeiro, com o mesmo cardápio e menos gente.
Como andar pela rota
Blumenau é a base: hotéis, a Vila Germânica, as fábricas. Pomerode fica a 30 km, Timbó a 35, Indaial a 20, Gaspar a 15, Brusque a 45. Tudo é feito de carro em estradas boas, com o rio Itajaí como referência. O aeroporto mais perto é o de Navegantes, a 60 km, ao lado de Itajaí; o de Florianópolis fica a 150 km. Joinville, a maior cidade do estado, está a 100 km ao norte e tem a própria cena de cervejarias, e Jaraguá do Sul, a 70 km, é a ponte entre as duas com a Schützenfest, a festa dos atiradores.
O roteiro de três dias: dia 1 Blumenau, com Vila Germânica, Museu da Cerveja e duas fábricas; dia 2 Pomerode e Timbó, com Schornstein, o Museu Pomerano e almoço de marreco; dia 3 Indaial, Gaspar e Brusque, ou uma tarde na praia em Itajaí e Balneário Camboriú, a 60 km, para quem prefere trocar cerveja por mar no fim.
As cidades da rota
Na ordem do roteiro. As que estão no diretório levam à lista de restaurantes, bares e cafeterias com endereço e telefone.
A capital da cerveja, da Oktoberfest e do marreco. Vila Germânica, Museu da Cerveja, Eisenbahn e a base da rota.
A cidade mais alemã do Brasil: 30 km de Blumenau, casas em enxaimel de verdade, Schornstein e a Festa Pomerana em janeiro.
Cervejarias, confeitarias e o rio para descer de boia; base da parte alta do vale.
A cidade do têxtil e da Fenarreco, a festa do marreco em outubro.
A maior cidade do estado, a 100 km, com cervejarias próprias, a Festa das Flores e o Festival de Dança.
Entre Blumenau e Joinville, com a Schützenfest em outubro e uma colônia alemã e húngara ativa.
O porto e a praia mais perto do vale, a 55 km, com o aeroporto de Navegantes ao lado e a Marejada, festa portuguesa de pescado em outubro.
A capital fica a 150 km e serve de porta de entrada aérea alternativa, com a cena de bares e de ostra à parte.
Onde parar
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1
Vila Germânica · Blumenau
O parque onde acontece a Oktoberfest e, o ano inteiro, os bares, o Museu da Cerveja e as lojas de canecas. Ponto zero da rota.
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2
Cervejaria Eisenbahn · Blumenau
A fábrica que abriu o caminho da cerveja artesanal no Brasil, com visita guiada e bar próprio.
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3
Schornstein · Pomerode
Cerveja tradicional alemã numa fábrica de 1913, com Biergarten.
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4
Rua XV de Novembro · Blumenau
O centro em estilo alemão, com o Castelinho da Moellmann, a prefeitura e o relógio de flores.
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5
Rota do Enxaimel · Pomerode
Estrada rural com 50 casas em enxaimel originais do século 19, a maior concentração fora da Alemanha.
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6
Cervejarias de Timbó e Indaial · Timbó
As microcervejarias da parte alta do vale, com bar de fábrica, comida alemã e preço de interior.
Quando ir
18 dias na Vila Germânica desde 1984, com desfiles na Rua XV, chopp em metro e a cidade lotada. Reserve hotel com meses de antecedência.
No mesmo mês, as festas menores do vale: marreco em Brusque, tiro e chopp em Jaraguá do Sul.
A Oktoberfest de Pomerode, no verão, com o mesmo cardápio e uma fração do público.
As fábricas abertas, o preço baixo e o frio que combina com Dunkel e eisbein.