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🍇 Frutas e vinho · SP · Região Sudeste

Circuito das Frutas e São Roque: uva Niágara, figo, morango e o vinho de colônia a uma hora de São Paulo

O interior paulista tem uma rota de vinho que não tenta ser a Serra Gaúcha: uva Niágara rosada, vinho de mesa, suco na garrafa e festa de fruta em cada cidade, tudo a menos de 100 km da capital.

Uva Niágara rosada na Festa da Uva de Jundiaí
Uva Niágara rosada na Festa da Uva de Jundiaí. Foto: Governo do Estado de São Paulo, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons.

Antes de o vinho brasileiro virar assunto de sommelier, ele era isto: a uva Niágara rosada, de casca grossa e cheiro de "uva" de bala, plantada por italianos em Jundiaí e nos morros em volta desde o fim do século 19, vendida em caixote na beira da estrada e transformada em vinho de mesa e suco no fundo da casa. O Circuito das Frutas é a organização turística dessa colônia: dez cidades entre Jundiaí e Campinas, cada uma com uma fruta e uma festa, com pomar de colhe-e-pague e adega de família aberta no fim de semana.

Do outro lado da capital, a 60 km pela Raposo Tavares, São Roque fez o mesmo com portugueses e italianos e hoje tem a Estrada do Vinho, uma rota de 20 km com vinícolas, cantinas, alambiques e restaurantes de comida de fazenda. Nenhuma das duas rotas vai ganhar medalha em Londres. As duas vão te alimentar bem por pouco dinheiro, a uma hora de São Paulo, e vender a garrafa que os paulistanos compram por 20 reais na banca da estrada há 100 anos.

A uva e o vinho de colônia

Jundiaí é o maior produtor de uva Niágara do país, e a Niágara é uma uva americana, não europeia: resistente à chuva e à doença, doce, de aroma "foxado" que os enólogos torcem o nariz e que o brasileiro comprou por um século como sinônimo de vinho. Produz o vinho de mesa (rótulo "vinho de mesa" ou "vinho colonial", nunca "vinho fino"), o suco integral e a própria uva, que se compra por R$ 8 a R$ 15 o quilo na beira da estrada de janeiro a março.

As vinícolas do Circuito e de São Roque são cantinas de família: visita grátis ou por R$ 20, prova no balcão, garrafa entre R$ 20 e R$ 50, e uma lista crescente de vinhos finos com uvas europeias, porque a nova geração quis provar que dá. Vale provar o vinho fino da casa, mas o que se compra é o suco e o vinho de mesa seco, que é o que eles fazem bem. Para entender por que a mesma bebida custa tanto mais no restaurante, esta é a rota onde a conta é mais didática.

Figo roxo, a fruta que fez a fama de Valinhos
Figo roxo, a fruta que fez a fama de Valinhos. Foto: Luiz coelho, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons.

As festas e o colhe-e-pague

Cada cidade tem a sua fruta e a sua festa. Jundiaí tem a Festa da Uva, desde 1934, em janeiro e fevereiro, com a Festa do Vinho junto. Vinhedo faz a sua Festa da Uva no mesmo período. Valinhos é a capital do figo roxo e faz a Festa do Figo em janeiro. Jarinu e Atibaia dividem o morango, com festas entre agosto e setembro. Louveira tem a goiaba, Itupeva a caqui, Itatiba a ameixa e o pêssego, Indaiatuba (no diretório) o pesque-pague e a comida caipira.

O colhe-e-pague é a versão de fim de semana: entra-se no pomar, colhe-se uva, figo ou morango, pesa-se na saída, R$ 10 a R$ 25 o quilo conforme a fruta. Funciona de janeiro a março para uva e figo, de julho a outubro para morango. As adegas ficam ao lado dos pomares e o almoço é polenta, frango e macarrão de família, entre R$ 40 e R$ 70 por pessoa. Leve criança; é a única rota de vinho onde isso faz sentido.

A entrada de Valinhos, capital do figo roxo
A entrada de Valinhos, capital do figo roxo. Foto: Williamcarvalhojk, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.

São Roque: a Estrada do Vinho

São Roque, a 60 km de São Paulo pela Raposo Tavares e a 50 de Sorocaba, tem uma rota mais concentrada: a Estrada do Vinho, entre o centro e o bairro do Canguera, enfileira 30 estabelecimentos, entre vinícolas, alambiques, cantinas e restaurantes de comida de fazenda e portuguesa. É rota de um dia, feita em geral aos sábados por paulistanos, com almoço demorado e lotação a partir do meio-dia.

A cidade é também a capital paulista da alcachofra, e a Expo São Roque, em outubro, junta as duas coisas: vinho e alcachofra, num mês em que a estrada fecha para carro nos fins de semana e vira feira. A vinícola mais visitada é a Góes, com parque e restaurante; as menores, no fim da estrada, vendem o vinho de mesa que o pai fazia. Quem quiser esticar segue para Itu, a 40 km, com o centro histórico e a Fazenda do Chocolate, ou para Bragança Paulista, do outro lado, com a Festa da Linguiça e os pesqueiros.

Cacho de uva Niágara branca, a uva de mesa da colônia
Cacho de uva Niágara branca, a uva de mesa da colônia. Foto: andrew leahey, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons.
Trilha na Serra do Japi, a reserva de Mata Atlântica ao lado dos vinhedos de Jundiaí
Trilha na Serra do Japi, a reserva de Mata Atlântica ao lado dos vinhedos de Jundiaí. Foto: Marcos Guerra, Domínio públicon.

As cidades da rota

Na ordem do roteiro. As que estão no diretório levam à lista de restaurantes, bares e cafeterias com endereço e telefone.

Onde parar

  1. 1
    Festa da Uva de Jundiaí · Jundiaí

    Desde 1934, no parque da Uva, de janeiro a fevereiro, com a Festa do Vinho, shows e barracas das adegas.

  2. 2
    Estrada do Vinho · São Roque

    20 km com 30 vinícolas, cantinas e alambiques; aos sábados, almoce cedo ou espere.

  3. 3
    Vinícola Góes · São Roque

    A maior e mais estruturada da Estrada do Vinho, com parque, restaurante e loja.

  4. 4
    Colhe-e-pague de Valinhos · Valinhos

    Figo roxo de janeiro a março; entre no pomar, colha, pese e pague por quilo.

  5. 5
    Adegas de Vinhedo e Louveira · Vinhedo

    As cantinas de família na estrada velha, com vinho de mesa, suco, salame e almoço de polenta.

  6. 6
    Serra do Japi · Jundiaí

    A reserva de Mata Atlântica ao lado dos vinhedos, com trilhas e a Ermida do Japi.

Quando ir

Janeiro a março
Safra de uva e figo

Festas da Uva de Jundiaí e Vinhedo, Festa do Figo de Valinhos, colhe-e-pague a todo vapor. O auge da rota.

Agosto e setembro
Morango

Jarinu e Atibaia, com as festas do morango e os pomares abertos.

Outubro
Expo São Roque

Vinho e alcachofra na Estrada do Vinho, que fecha para carro nos fins de semana.

Junho e julho
Inverno

Sem fruta, mas com as cantinas abertas, o fogão a lenha e menos gente na estrada.