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Exímia salta 41 posições e vira o 20º melhor bar do mundo — mas o Brasil segue com só dois no 50 Best

Exímia salta 41 posições e vira o 20º melhor bar do mundo — mas o Brasil segue com só dois no 50 Best

O bar do Itaim Bibi, aberto em maio de 2024, estreou na lista estendida no ano passado em 61º e agora é o brasileiro mais bem colocado do World's 50 Best Bars. O Tan Tan, de Pinheiros, ficou em 35º. O Bar Leone, de Hong Kong, foi eleito o melhor do mundo pela segunda vez seguida.

SaborCidade · · 5 min de leitura

Você provavelmente já pediu uma caipirinha achando que estava tomando o drinque mais brasileiro possível. Pois um bar de São Paulo acaba de ser colocado entre os vinte melhores do planeta tentando provar que a coquetelaria brasileira vai muito além do limão com cachaça — e sem cair no folclore de cartão-postal.

Na noite de quarta-feira, 7 de outubro, em Milão, a organização do The World's 50 Best Bars 2026 divulgou o ranking. O Exímia, na rua Manuel Guedes, no Itaim Bibi, ficou em 20º lugar. Um ano atrás, ele aparecia na lista estendida, a de 51º a 100º, em 61º. Subiu 41 posições em doze meses.

Quem está por trás do Exímia

O bar foi aberto em maio de 2024 pelo bartender Márcio Silva e pelos irmãos Gabriel e Nicholas Fullen, do Grupo Locale. O nome de Márcio não é novo nesse ranking: foi ele quem levou o Guilhotina ao 15º lugar em 2019, a marca brasileira que o Exímia ainda persegue.

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A proposta, segundo a casa, é valorizar a cultura de bar brasileira "de forma autêntica", com olhar contemporâneo. O cardápio parte de pesquisa em antropologia e na história dos clássicos e usa ingredientes nativos. Traduzindo: em vez de enfeitar o copo com uma folha de bananeira e chamar de brasilidade, a ideia é estudar de onde vêm os sabores e usá-los com técnica de coquetelaria clássica.

O Tan Tan cai, mas fica pelo quinto ano

O outro brasileiro do top 50 é o Tan Tan, na rua Fradique Coutinho, em Pinheiros, que ficou em 35º. Ele havia sido 24º em 2025, então caiu onze posições, mas completou o quinto ano seguido na lista, onde estreou em 2021, em 87º. A casa é comandada pelo chef e diretor criativo Thiago Bañares, com Caio Carvalhaes como head bartender, e mistura cozinha de inspiração asiática com coquetelaria técnica.

A carta atual, chamada "Perspectiva", tem 10 coquetéis que percorrem as cinco regiões do país com ingredientes como caju, cupuaçu, tucupi, milho, baru e mate. Os drinques custam entre R$ 45 e R$ 78. "Estar na lista é um reconhecimento enorme e constante", disse Bañares.

World's 50 Best Bars 2026, o que importa para o Brasil:

• 20º Exímia (Itaim Bibi, SP): era 61º em 2025, subiu 41 posições
• 35º Tan Tan (Pinheiros, SP): era 24º em 2025, quinto ano seguido na lista
• 1º Bar Leone (Hong Kong), melhor do mundo pela segunda vez seguida
• Melhor da América do Sul: Alquímico (Cartagena, Colômbia), em 3º
• México tem 4 bares no top 50; Colômbia, 3; Brasil, Argentina e Peru, 2 cada
• Referência brasileira: Guilhotina, 15º em 2019
• Votação: mais de 800 especialistas, com visita presencial nos últimos 18 meses

Fontes: The World's 50 Best Bars, CNN Brasil, Exame e Seu Dinheiro, 7/10/2026.

O problema: o Brasil não cresce na lista, só troca de nome

Aqui vale baixar um pouco o volume da comemoração. O Brasil tem dois bares no top 50, o mesmo número da Argentina e do Peru, metade do México e um a menos que a Colômbia. E os dois são de São Paulo, a poucos quilômetros um do outro. Rio, Belo Horizonte, Recife, Salvador e Curitiba seguem fora.

Bares como SubAstor e Frank Bar já passaram pelo ranking, e o Guilhotina chegou ao 15º. Como resumiu o site Seu Dinheiro, a dinâmica brasileira tem sido "mais de substituição do que de expansão": entra um, sai outro, e o total fica parado em dois ou três. Para um país com a cultura de boteco que temos, é pouco.

Parte da explicação está no próprio método. A lista é feita por mais de 800 votantes anônimos — bartenders, donos de bar, jornalistas —, cada um com oito votos, e só vale bar visitado pessoalmente nos últimos 18 meses. Bar que não recebe visita de jurado estrangeiro não entra na conversa. É por isso que ranking desse tipo premia também a capacidade de circular no circuito internacional, não só o drinque no copo.

Vale a pena ir? O que esperar da conta

Se você quer entender o que está sendo premiado, sim. Mas vá sabendo o que vai encontrar. Coquetel autoral em bar desse nível custa na faixa do Tan Tan, de R$ 45 a quase R$ 80, e o Exímia joga no mesmo campeonato. Ranking costuma lotar a casa nas semanas seguintes, então reserve, chegue cedo ou escolha um dia de semana.

Uma dica honesta: peça o drinque que só existe ali, não o Negroni que você toma em qualquer lugar. Pergunte ao bartender de onde vem o ingrediente nativo do copo. Se a resposta vier com história e não com marketing, você está no lugar certo. Se quiser chegar preparado para comparar, nosso guia de drinks clássicos ajuda a entender o ponto de partida de cada releitura.

O Exímia provou que dá para levar brasilidade sem fantasia a um pódio mundial. Agora falta o resto do país ser convidado para a festa — porque bar bom no Brasil nunca foi exclusividade de dois CEPs paulistanos.

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