
O chope da Oktoberfest de Blumenau subiu para R$ 17 — e o copo grande tem o litro mais caro da festa
A 41ª edição, de 7 a 25 de outubro, cobra R$ 17 pelo pilsen de 400 ml e R$ 30 pelo de 700 ml, contra R$ 16 e R$ 28 no ano passado. Fazendo a conta por litro, o copo de 700 ml sai mais caro que o pequeno, e o melhor negócio está na caneca de vidro de um litro e no pack de quatro. Já o ingresso de sábado foi de R$ 70 para R$ 80.
Você chega ao balcão do pavilhão, a banda toca a mesma música pela quarta vez, alguém ao lado grita "ein Prosit" e você precisa decidir em dois segundos: copo pequeno ou copo grande? A intuição de qualquer brasileiro criado em atacarejo manda pegar o maior, porque o maior sempre sai mais barato por mililitro. Na Oktoberfest de Blumenau de 2026, a intuição erra.
A tabela oficial de bebidas da festa, divulgada pela organização em meados de setembro, fixou o chope pilsen e o Spaten, a cerveja oficial, em R$ 17 o copo de 400 ml e R$ 30 o de 700 ml. A festa vai de 7 a 25 de outubro, são 19 dias no Parque Vila Germânica, e esta é a 41ª edição.
Quanto subiu
Em 2025, a mesma tabela cobrava R$ 16 pelo copo de 400 ml e R$ 28 pelo de 700 ml, que estreava naquele ano. Ou seja: o pequeno subiu 6,25%, e o grande, 7,1%. As cervejas especiais, das cervejarias da região, foram de R$ 18 para R$ 19 (400 ml) e de R$ 31 para R$ 33 (700 ml). A categoria "superespecial", só em copo pequeno, começa em R$ 21, um real acima do ano passado.
Os packs também subiram: quatro copos de 400 ml de Spaten passaram de R$ 62 para R$ 66, e o pack de especiais, de R$ 70 para R$ 74. Não é um assalto, mas também não é o que se esperaria de uma festa que acabou de fechar o melhor ano da própria história (já chegamos lá).
A conta por litro, que ninguém faz no balcão
Agora, a matemática que a fila não deixa você fazer. Dividindo o preço pelo volume, o pilsen de 400 ml sai a R$ 42,50 o litro. O de 700 ml, a R$ 42,86 o litro. É pouco, 36 centavos por litro, mas é o contrário do que o tamanho do copo promete: quem pega o grande paga um pouquinho mais caro pelo privilégio de carregar mais chope esquentando na mão.
Em 2025, os dois tamanhos empatavam em R$ 40 o litro. O reajuste deste ano simplesmente pesou mais no copo grande. E, como chope de festa perde gás e temperatura rápido, o copo de 700 ml já tinha um custo escondido: os últimos 200 ml costumam ser bebidos mornos.
Quem quer volume tem duas saídas mais baratas. A primeira é a caneca de vidro de 1 litro, vendida no Galegão e no Festzelt por R$ 41, o menor preço por litro da tabela do chope comum. A caneca de 500 ml, a R$ 21, sai a R$ 42 o litro. A segunda é o pack de quatro copos de 400 ml: 1,6 litro por R$ 66, ou R$ 41,25 o litro, com a vantagem de que o chope chega em copos menores e, portanto, mais gelados. Para a turma que vai dividir, é o jeito mais racional de pedir.
• Pilsen/Spaten 400 ml: R$ 17 (R$ 42,50/litro) — era R$ 16 em 2025
• Pilsen/Spaten 700 ml: R$ 30 (R$ 42,86/litro) — era R$ 28
• Caneca de vidro 1 litro (Galegão e Festzelt): R$ 41, o litro mais barato do chope comum
• Pack com 4 copos de 400 ml: R$ 66 (R$ 41,25/litro) — era R$ 62
• Especiais: R$ 19 (400 ml) e R$ 33 (700 ml); superespecial a partir de R$ 21
• Sem álcool R$ 15, sem glúten R$ 16, água R$ 7, refrigerante R$ 9
• Ingresso de sábado: R$ 80 (era R$ 70); sexta, R$ 60 (era R$ 56); quarta, quinta e domingo, R$ 24
A festa nunca ganhou tanto dinheiro
O reajuste vem depois de um ano recorde. Segundo o balanço da edição de 2025, divulgado em dezembro, a Oktoberfest recebeu 689.201 visitantes em 19 dias, 18,98% a mais que em 2024, com pico de 81.277 pessoas num único dia e dois sábados esgotados. A receita total chegou a R$ 35,6 milhões e o superávit, a R$ 12 milhões, 25,71% acima dos R$ 9,6 milhões do ano anterior.
Os patrocínios renderam R$ 17,1 milhões, de 34 empresas, e a bilheteria, R$ 9,3 milhões, alta de 41,16%. A praça de alimentação vendeu 621.222 itens. Com sábado esgotando a R$ 70, subir o sábado para R$ 80 é a lei da oferta e da procura em versão tirolesa: se a lotação existe, alguém vai pagar.
Em compensação, a festa manteve a entrada gratuita no primeiro, no segundo e no último dia, além de todas as segundas e terças, e congelou em R$ 24 o ingresso de quarta, quinta e domingo. Menores de 12 anos não pagam.
E Munique?
A comparação com a matriz alemã ajuda a pôr o preço no lugar. Na Oktoberfest de Munique deste ano, a tabela oficial da prefeitura mostra a Maß, a caneca de um litro, entre 14,80 e 15,90 euros, com aumento de cerca de 2,6% nas grandes tendas. O reajuste alemão foi menos da metade do de Blumenau no copo pequeno.
Duas diferenças contam a favor de Santa Catarina. Em Munique, a água mineral de um litro custa de 8 a 15 euros conforme a tenda, e, na maioria das tendas, a cerveja sem álcool custa exatamente o mesmo que a com álcool. Em Blumenau, a cerveja sem álcool sai R$ 2 abaixo do pilsen, e a organização promete pontos de água filtrada gratuita no parque. Numa festa em que o sol de outubro e o chope trabalham juntos contra você, isso não é detalhe.
Como beber melhor gastando menos
Primeiro: se vai beber mais de um chope, peça o pack de quatro ou a caneca de um litro, que têm o menor preço por litro, e esqueça o copo de 700 ml, que não compensa nem no preço nem na temperatura. Segundo: vá numa quarta, quinta ou domingo, com ingresso a R$ 24, ou num dia de entrada gratuita. O sábado custa mais que o triplo e entrega mais fila.
Terceiro: alterne com água. Os pontos gratuitos existem justamente para isso, e a ressaca de segunda também é um custo. E, se o seu plano é beber chope o ano inteiro, não só em outubro, vale entender a diferença entre chope e cerveja e quando o bar compensa em relação ao mercado. Para achar um bom lugar perto de você, o guia de bares está aqui.
Na Oktoberfest, o copo maior não é o mais barato, só o mais pesado. Faça a conta antes do terceiro chope, porque depois dele ninguém faz.
