
As 50 melhores cafeterias do Brasil: o Rio leva o pódio, São Paulo leva a quantidade
A primeira edição nacional do The Best Coffee Shops pôs a carioca Coffee Five em primeiro e a Nolita Roastery em segundo, com casas de 14 estados na lista. Um mês antes, um ranking sul-americano da mesma rede tinha posto a Coffee Five em 62º. Entenda o que cada lista mede — e como usar isso na hora de escolher onde tomar café.
Quando alguém fala em "melhor café do Brasil", você imagina uma torrefação em São Paulo ou uma fazenda no sul de Minas. Só que a primeira lista nacional de cafeterias de uma rede internacional de rankings saiu neste sábado (17) e mandou as duas primeiras medalhas para o Rio de Janeiro — a cidade que muita gente de fora ainda associa mais a chope do que a coado.
O The Best Coffee Shops Brasil 2026, ligado à plataforma internacional que publica o ranking das 100 melhores cafeterias do mundo, elegeu 50 endereços. A Coffee Five, no Centro do Rio, ficou em primeiro; a Nolita Roastery, também carioca, em segundo. O anúncio foi feito no Rio Coffee Nation, festival de café que ocupa o EXC, no Jockey Club Brasileiro, até este domingo (18), segundo o Rio Show, de O Globo.
Quem ficou no topo
Em terceiro lugar veio a Kofi & Co - Café e Brunch, de São Paulo. Completam o top 5 a Giotti Cafés Microtorrefação, de Juiz de Fora (MG), e a Amika Coffeehouse, de Fortaleza (CE). Fechando o top 10 estão Drão ArtCafé (Rio), So Lo Brewing Boa Viagem (Recife), A Cafeteria (Espera Feliz, MG), Cupping Café (São Paulo) e Café Lunático (Rio).
A Coffee Five é conhecida por colecionar prêmios de latte art — aquele desenho de leite vaporizado na superfície da xícara — e por um cardápio de drinques à base de café. Na Nolita Roastery, o cliente acompanha a torra dos grãos de onde está sentado. São duas propostas diferentes: uma aposta no barista como performance, a outra na transparência do processo. As duas cabem no que o júri queria avaliar.
• Top 5: Coffee Five (RJ), Nolita Roastery (RJ), Kofi & Co (SP), Giotti (Juiz de Fora-MG), Amika (Fortaleza-CE)
• 50 cafeterias de 14 estados, escolhidas entre mais de 300 inscritas
• Por estado: SP 11, RJ 10, MG 9; SC, RS e PR 3 cada; GO, PB e BA 2 cada; CE, PE, ES, AL e SE 1 cada
• Peso na nota final: 70% júri técnico (cinco profissionais) e 30% voto popular on-line
• Os mais bem colocados se classificam para a etapa mundial
• No ranking sul-americano da mesma rede, divulgado em setembro: Lucca Cafés Especiais (Curitiba) em 4º, Coffee Five em 62º, 12 brasileiras no top 100
Fontes: Rio Show / O Globo, organização do Rio Coffee Nation e Mercado&Consumo.
Como a lista foi feita
Segundo a organização, mais de 300 cafeterias se inscreveram. Na primeira etapa, um júri de cinco profissionais avaliou ambiente, conhecimento dos baristas, consistência e qualidade dos produtos, cardápio, inovação, variedade de métodos de preparo, atendimento, sustentabilidade e conexão com a comunidade. Só quem bateu a nota mínima passou para a votação do público, na internet.
A nota final deu 70% de peso ao júri e 30% ao voto popular. É uma fórmula razoável — mais técnica do que um concurso de curtidas, mais aberta do que um guia de críticos anônimos. Mas tem um detalhe que você precisa saber antes de atravessar a cidade por causa do ranking: só concorreu quem se inscreveu. A cafeteria excelente que não preencheu o formulário simplesmente não está na lista.
Um ranking, dois resultados
Aqui a conversa fica interessante. No fim de setembro, o ranking das 100 melhores cafeterias da América do Sul, da mesma rede internacional, apresentado em Quito, no Equador, colocou a Lucca Cafés Especiais, de Curitiba, em 4º lugar no continente — a brasileira mais bem colocada. A Coffee Five apareceu em 62º, segundo a Mercado&Consumo. Na lista nacional, a Lucca ficou em 16º.
Contradição? Não exatamente. São júris diferentes, públicos diferentes e universos de inscrição diferentes — a lista continental considerou mais de 4.200 cafeterias e mais de 280 mil votos. Rankings de gastronomia funcionam como fotografia, não como placar de campeonato: dependem de quem estava no enquadramento e de quem segurava a câmera. A mensagem honesta é que as duas casas estão entre as boas do país, e que a ordem exata importa menos do que o anúncio faz parecer.
Também vale lembrar que a Coffee Five e a paulistana Cupping Café já estavam no ranking mundial divulgado em fevereiro, em Madri — a única dupla brasileira entre as 100 do planeta naquela edição.
O que a lista revela sobre o café no Brasil
O dado mais animador não está no pódio, mas no mapa. Há cafeterias de 14 estados, incluindo Sergipe (Berlim, em Aracaju), Alagoas (RDV Roasters, em Maceió) e a Bahia, com Salvador e Vitória da Conquista. E há casas fora das capitais: Patrocínio, Patos de Minas e Varginha, em Minas; Farroupilha, no Rio Grande do Sul; Indaiatuba e Sorocaba, em São Paulo; Penedo, no Rio.
Várias delas são cafeterias de torrefação própria ou ligadas a produtores — caso da Cafeteria Dulcerrado, da cooperativa Expocacer, em Patrocínio. É o café especial saindo do circuito Pinheiros-Leblon e chegando perto de onde o grão nasce. Para o cliente, isso significa que a xícara bem tirada deixou de ser privilégio de quem mora em bairro de foto no Instagram.
Como usar o ranking (sem virar refém dele)
Use a lista como roteiro, não como sentença. Se estiver viajando, ela ajuda a achar uma boa parada em cidade que você não conhece. Na sua própria cidade, a melhor cafeteria continua sendo a que acerta o seu café todo dia, pelo preço que cabe no seu mês — e o nosso guia de cafeterias ajuda a separar a boa da só bonita.
Ao visitar uma premiada, peça algo que revele o trabalho da casa: um coado de origem única, um espresso puro, sem leite nem açúcar. Se quiser entender o que muda de um método para o outro, veja o guia de métodos de preparo. E observe o que o júri disse ter avaliado: o barista sabe dizer de onde vem o grão? O café de hoje está igual ao de ontem? É o mesmo tipo de consistência que o tricampeão brasileiro de prova de café treina para enxergar.
Para quem está no Rio, o Rio Coffee Nation funciona neste domingo (18), das 10h às 20h, no EXC, no Jockey, com ingresso a R$ 55. Na edição de 2025, o festival recebeu mais de 5 mil visitantes e mais de 50 expositores.
O ranking diz onde o júri tomou bons cafés. Onde você toma o seu melhor, só o seu paladar sabe — e ele não precisa de inscrição.
