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A padaria da esquina entrou em campanha — e o seu voto no pãozinho vale até sábado

A padaria da esquina entrou em campanha — e o seu voto no pãozinho vale até sábado

O Padocaria-SP abriu a sexta edição com voto popular até 27 de setembro, duas categorias novas (almoço e vitrine de confeitaria) e um júri que visita os finalistas sem se identificar. Por trás da festa, um setor que está perdendo gente no balcão e precisa, mais do que nunca, de motivo para você entrar.

SaborCidade · · 5 min de leitura

Você tem uma padaria preferida. Não é a mais bonita nem a que tem o croissant de R$ 24 — é aquela em que o chapeiro já sabe que o seu pão na chapa é "bem torradinho" e a moça do caixa pergunta se vai "o de sempre". Pois essa relação, que nunca coube em guia gastronômico nenhum, agora tem urna: o Padocaria-SP, concurso que elege as melhores padarias de São Paulo, abriu a votação da sexta edição.

E o prazo é curto. A primeira fase, aberta ao público no site do concurso, vai só até sábado, 27 de setembro. É nela que os paulistanos indicam as padarias em cada categoria — e é dela que saem os finalistas. Quem não votar agora vai assistir à disputa da arquibancada.

Como funciona a eleição do pãozinho

O concurso tem duas etapas. Na primeira, o público vota em nove frentes: melhor café, melhor pãozinho, pizza de padaria, pão de fermentação natural, time de chapeiros, almoço em padaria e vitrine de confeitaria — as duas últimas estreiam este ano —, além da melhor padaria de São Paulo e da melhor padaria de Guarulhos, que entrou no mapa em 2025.

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As mais votadas de cada região viram finalistas, anunciadas em 8 de outubro. Aí começa a segunda fase: cinco finalistas por zona da cidade (leste, oeste, sul, norte e centro) disputam novo voto popular até 25 de outubro. E aqui entra a parte que separa o Padocaria de enquete de rede social: um júri técnico — chefs, professores de gastronomia, jornalistas e especialistas em panificação e confeitaria — visita anonimamente cada finalista, e o voto dele pesa 50% no resultado. Os vencedores saem em 4 de novembro.

Traduzindo: a padaria que mobilizar o bairro inteiro no WhatsApp chega à final. Mas, se o pão da tarde vier borrachudo no dia em que o jurado entrar sem crachá, metade da nota vai embora junto com o café requentado.

O Padocaria em números:

• 27 de setembro: fim da primeira fase de votação popular (9 categorias)
• 8 de outubro: anúncio dos finalistas, 5 por região da capital
• 25 de outubro: fim da segunda fase de votação
• 50%: peso do júri técnico, que visita os finalistas sem se identificar
• 4 de novembro: resultado, com o top 3 de cada categoria e a campeã da cidade
• Em 2025: 65 mil votos na primeira fase, mais de 900 padarias indicadas, 31,5 mil votos na final e 28 finalistas visitadas pelo júri

A campeã que não é padaria de Instagram

O resultado do ano passado diz muito sobre o que esse concurso mede. A grande vencedora de 2025 foi a Arizona Pães, no Tucuruvi, zona norte, aberta em 1983. Não é a padaria de fermentação natural com fila de fim de semana nem a boulangerie de nome francês nos Jardins. É uma padaria de bairro com mais de 40 anos que levou, além do título principal, os prêmios de melhor pão e de melhor pão na chapa com Catupiry.

As campeãs regionais seguiram a mesma linha: Padoca da Praça (Jardim dos Lagos, zona sul), Merci (Vila Romana, oeste), Bella Paulista (centro), Vera Cruz (Tatuapé, leste) e Munhoz, primeira campeã de Guarulhos. E há um detalhe curioso: a Ceci e a Galeria dos Pães, tricampeãs, foram promovidas a "hors concours" — um jeito elegante de dizer que saíram da disputa para abrir espaço para as outras.

Por que a padaria precisa do seu voto agora

Por trás da festa há uma conta que não fecha tão bem. Como o SaborCidade mostrou em agosto, com dados do Instituto de Desenvolvimento das Empresas de Alimentação (IDEAL), o faturamento da panificação cresceu só 3,24% de janeiro a maio — contra 9,35% em 2025 —, e o crescimento veio todo do bolso: o ticket médio subiu 5,75% enquanto o fluxo de clientes caiu 2,31%. O pãozinho chegou a R$ 21,73 o quilo na média nacional (R$ 22,45 no Sudeste).

Em outras palavras: menos gente está entrando na padaria, e quem entra paga mais. É exatamente nesse cenário que as categorias novas do Padocaria fazem sentido. "Almoço em padaria" e "vitrine de confeitaria" são as duas frentes com que o setor tenta trazer o cliente de volta em outros horários — o PF do meio-dia e o doce da tarde — e aumentar o valor de cada visita. Um troféu pendurado na parede, convenhamos, é o marketing mais barato que existe para isso.

Como votar sem virar cabo eleitoral de ninguém

Vote no que você come, não no que você viu no feed. O time de chapeiros que acerta o ponto da sua média às 6h40 merece mais o seu voto do que o pão de fermentação natural que você provou uma vez. Vale usar as categorias com honestidade: a padaria com o melhor café raramente é a mesma do melhor almoço, e o concurso foi desenhado justamente para reconhecer isso.

E, se a sua preferida chegar à final, desconfie menos do júri anônimo e mais da própria padaria: se ela for boa de verdade, não vai precisar saber quem está no balcão.

No fim, o melhor pãozinho de São Paulo não é o que ganha o troféu — é o que continua quentinho às sete da manhã numa terça-feira qualquer, quando ninguém está julgando.

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