Cinco brasileiros no top mundial de pizza — e o mundo finalmente percebeu

Cinco brasileiros no top mundial de pizza — e o mundo finalmente percebeu

O Best Pizza Awards 2026 colocou pizzaiolos de São Paulo e Rio no top 100 global. A pizza que a Itália inventou agora tem discípulos aqui que a Itália precisa respeitar

SaborCidade ·

A sexta edição do The Best Pizza Awards acabou de anunciar o ranking 2026, e o Brasil conseguiu algo que dez anos atrás seria ficção científica gastronômica: cinco pizzaiolos brasileiros entre os 100 melhores do mundo. Não em uma categoria de "melhor da América Latina". No ranking geral, que mistura napolitanos de Nápoles com japoneses obsessivos de Tóquio e americanos de Nova York. Cinco brasileiros. Top 100.

O número 42 é Dani Branca, da Soffio Pizzeria em São Paulo — italiano radicado no Brasil há mais de duas décadas que já havia sido eleito melhor pizzaiolo da América Latina em 2023. Mas os outros quatro são brasileiros formados aqui, com projetos daqui, servindo pizza aqui. E isso, mais do que o ranking em si, é a notícia.

Quem são e onde ficam

O ranking tem nomes que os frequentadores assíduos de pizzaria séria em São Paulo e Rio já conhecem. Para quem ainda não foi, é um mapa com endereço.

Os cinco brasileiros no The Best Pizza Awards 2026:

42º — Dani Branca (Soffio Pizzeria, São Paulo / Paestum Forneria, Guaratinguetá): italiano radicado no Brasil, fermentações prolongadas, napolitana contemporânea; melhor pizzaiolo da América Latina em 2023
51º — Felipe Zanuto (A Pizza da Mooca, São Paulo): uma das casas mais técnicas da cidade, referência em qualidade de massa
55º — Matheus Ramos (QT Pizza Bar, Jardins, São Paulo): ex-publicitário que largou tudo em 2019; fermentação natural de 48 horas; pizza Pomodori eleita Pizza do Ano pelo 50 Top Pizza 2026
78º — Pedro Siqueira (Sìsì, Rio de Janeiro — 3 unidades): napolitanas de fermentação natural no Rio; abrindo Marmotta Pasta Bar em SP ainda em 2026
83º — André Guidon (Leggera)

Por que a pizza brasileira chegou até aqui

A trajetória não é acidente. O Brasil tem décadas de tradição de pizzaria — São Paulo se gaba de ter a maior concentração de pizzarias por habitante do mundo, o que pode ou não ser exato, mas é uma afirmação que a cidade repete com orgulho suficiente para que a gente assuma que tem alguma base empírica.

O que mudou na última década foi o nível técnico. Uma nova geração de pizzaiolos passou anos estudando na Itália — ou consumindo cursos, publicações e, principalmente, pizza de verdade feita por quem sabe. Quando processaram tudo isso, trouxeram fermentação longa, farinha de qualidade, controle preciso de temperatura e, acima de tudo, rigor. Não como performance para o Instagram. Como obsessão genuína pelo produto.

O Matheus Ramos é o caso mais simbólico. Deixou carreira em publicidade e mercado financeiro em 2019 para abrir o QT Pizza Bar nos Jardins. Levou o projeto a sério desde o primeiro dia: fermentação de 48 horas, ingredientes selecionados, menu enxuto. Em 2026, sua pizza Pomodori foi eleita Pizza do Ano pelo 50 Top Pizza. Ou seja: a pizza mais admirada do mundo este ano nasceu nos Jardins de São Paulo. Não em Nápoles.

O que esses pizzaiolos têm em comum

Além do óbvio — técnica e qualidade — existe um padrão de abordagem nessa lista. Nenhum deles está tentando ser italiano. Estão usando técnica italiana como ponto de partida e fazendo alguma coisa com ingredientes e contexto brasileiros. A pizza contemporânea de Dani Branca inclui combinações que você não encontra em Nápoles. A carta do Pedro Siqueira no Sìsì tem personalidade carioca sem precisar anunciar isso.

Esse é o mesmo caminho que a cozinha brasileira percorreu para chegar às três estrelas Michelin em 2026: dominar a técnica do outro e usá-la para dizer algo próprio. Fine dining, pizza — o princípio é idêntico. O resultado aparece no ranking.

A pizza romana que vem por aí

O Best Pizza Awards e os especialistas brasileiros já apontam para o próximo movimento: a pizza romana. Diferente da napolitana, ela é retangular, a massa é mais fina e crocante, servida em pedaços ou por quilo. No Brasil, a napolitana fez a fama dos últimos cinco anos. A romana chega mais sutil, mais democrática na divisão — você pede a quantidade que quer, come o quanto quer.

Não significa que a napolitana vai embora. Significa que o mercado está maduro o suficiente para comportar dois estilos técnicos de alto nível ao mesmo tempo. E algumas das pizzarias do ranking já estão testando romano no cardápio.

Como você aproveita isso

A resposta prática é simples: vá. Todas as casas da lista existem, têm endereço e aceitam reserva. A pizza do Matheus Ramos nos Jardins não é a mais cara da categoria. A Sìsì no Rio tem três unidades, o que significa que o Pedro Siqueira não está fazendo pizza só para quem tem endereço nobre.

O risco real é que, depois de um ranking desse ganhando repercussão internacional, as filas crescem, os preços sobem e o acesso fica mais difícil. Se você está lendo esse texto agora, você tem vantagem de tempo sobre todo mundo que vai ler depois que a notícia viralizar.

A pizza que o Brasil faz em 2026 não imita mais a Itália — ela concorre com ela. E está ganhando.

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